Movie Geek Review
Beowulf - 2007
de Robert Zemeckis
No início dos anos 80 (não me recordo do ano exacto, mas lembro-me que devia ter 3 ou 4 anos na altura), a RTP1 transmitiu, com muita pompa e circunstância, o clássico "Creature from the Black Lagoon" em glorioso (leia-se: manhoso) 3D. Para beneficiar deste espectacular efeito era necessário utilizar uns óculos rídiculos feitos de cartão e papel celofane, com uma lente azul e outra vermelha. Obviamente que o resultado não era grande coisa, culminando inevitávelmente numa grande dor de cabeça, tonturas, e muito pouco 3D, mas ainda hoje guardo na minha memória os dias de expectativa antes da exibição do filme (durante os quais utilizava os óculos sempre que a minha mãe não estava a ver), e a mistura de medo, curiosidade e espanto que o filme em si me provocou. Agora, mais de duas décadas depois,o cinema 3D volta a estar nas bocas do mundo, com filmes como "Meet the Robinsons" (Disney), "Nightmare Before Christmas 3D" (o clássico de Tim Burton com um novo tratamento digital) e agora este "Beowulf", o novo filme de Robert Zemeckis baseado no épico poema de autor desconhecido do século VIII (que já tinha 'sofrido' uma terrível adaptação em 1999 num filme com Christopher Lambert como protagonista). Mas a pergunta que se coloca é esta: será que o 3D é o único atractivo desta película? Vamos analisar, Movie Geek style!
A história : 
Esta é a história épica de Beowulf, um heróico guerreiro que atravessa os mares para auxiliar o Rei Hrothgar e o seu povo, que estão a ser aterrorizados pelo monstruoso Grendel. Mas ao derrotar esta horrível criatura, Beowulf acaba por despertar a ira da mãe de Grendel, que procura vingança pela morte do seu filho. O Rei decide então enviar o nosso herói numa nova missão: entrar no covil de Grendel e destruir de uma vez por todas a sua maligna mãe, mas Beowulf, incapaz de a derrotar, acaba por sucumbir a uma antiga maldição que colocará á prova toda a sua coragem e determinação...
O veredicto : 
Antes de entrar na análise ao filme em si, vamos tirar o tão falado factor 3D do caminho. Para beneficiar deste efeito são necessários (mais uma vez) um par de óculos especiais, distribuídos ao comprar o bilhete. Mas, para facilitar, aqui vai um pequeno guia de introdução ao mundo 3D.
Passo 1 - Dirigir-se á bilheteira e preparar-se para pagar mais 1.50 euros pelo 'upgrade 3D' (termo inventado pela Lusomundo, não por mim). Não é que me esteja a queixar, mas numa altura em que cada vez menos pessoas vão ao cinema, parece-me uma decisão algo mesquinha e desnecessária.
Passo 2 - Retirar os óculos da embalagem de plástico, o que será tarefa fácil se não fizerem como eu e tentarem rasgar o saco DO LADO CONTRÀRIO AO PICOTADO, fazendo com que me fossem atribuídos 5 níveis de Estupidez extra. Os óculos em si são pretos e têm as duas lentes da mesma cor (transparentes, mas ligeiramente escurecidos), e aparentemente não apresentam nenhuma característica especial.
Passo 3 - Colocar os óculos e rir ás gargalhadas com o recém-adquirido visual cromo (especialmente eficaz se estiverem num grupo de amigos). Acreditem, têm aqui material para horas de piadas parvas.
Passo 4 - Preparar-se para o espectáculo.
E meus amigos, que espectáculo... Não vou fingir que percebo como é que esta técnica 3D se processa, mas aparentemente os óculos funcionam como um filtro que faz partes da imagem fundirem-se entre si (vista sem os óculos, a imagem está completamente desfocada), causando uma estranha ilusão de profundidade. Isso, ou então pequenos gnomos mágicos lançam feitiços sobre os espectadores, fazendo-nos ver coisas que não existem. De qualquer das formas, o resultado é simplesmente arrebatador, e difícil de descrever. A tal sensação de profundidade é uma constante, sendo mais visível nas cenas em que a camâra mostra vastas planícies ou quando as personagens apontam as suas armas em direcção ao ecrã. De resto, todos os objectos ganham nova vida com esta técnica, e por vezes temos a nitída sensação que vamos ser atingidos por uma flecha ou por uma pedra lançada na nossa direcção. Durante os primeiros minutos é necessária alguma habituação, mas no geral a experiência não é muito cansativa para a vista. Quanto aos óculos, poderiam ser mais confortáveis e menos rigídos, mas esse é apenas um pormenor. Um factor que acaba por não resultar muito bem é a inclusão das legendas, que por não terem o mesmo tratamento 3D do resto das imagens tornam-se penosas de ler, sendo que a melhor opção é ignorá-las por completo se quiserem evitar uma dor de cabeça... 
E assim chegamos ao filme em si. Como já devem saber, Robert Zemeckis utilizou aqui uma nova técnica denominada 'Performance Capture', na qual se filmam as cenas com actores reais, e posteriormente essas imagens são utilizadas para criar personagens digitais, totalmente gerados por computador. O resultado é mais ou menos comparável ao filme "Final Fantasy - The Spirits Within", mas com muito mais realismo e pormenores, chegando ao ponto do espectador se esquecer por vezes que não está a ver actores de carne e osso. Apesar de tudo isto, em alguns momentos a qualidade da animação decresce inexplicavelmente, e os movimentos dos personagens tornam-se robóticos e pouco realistas, mas felizmente estas falhas são escassas.
Quanto á história, não surpreende mas é bastante interessante de seguir (basta referir que o argumento foi co-escrito pelo génio Neil Gaiman), e inclui algumas pequenas diferenças em relação ao texto original. De destacar o personagem Grendel, que acaba por ser a vedeta de todo o filme, e que apesar de ser supostamente um monstro impiedoso demonstra ser algo mais do que isso...
Visualmente (e esquecendo a componente 3D), somos brindados com algumas sequências de batalha bastante violentas (fazendo lembrar o videojogo 'God of War'), nada que se compare ás cenas brutais de "300", mas mesmo assim bastante agradáveis de presenciar. A cena final envolvendo o confronto épico de Beowulf contra um gigantesco dragão é simplesmente divinal...
No final, o resultado acaba por ser um bom filme de animação digital, mas o que acaba por ficar na memória é simplesmente a experiência 3D. Sem isso, o impacto deste filme seria bem menor, mas sendo assim torna-se uma experiência simplesmente imperdível e altamente recomendável.
Pontos positivos : Boa história, os personagens de Grendel e Beowulf estão muito bem conseguidos, diálogos bem escritos e componente visual espectacular.
Pontos negativos : Não surpreende, falhas inexplicáveis em certas cenas, terrível uso das legendas.
Classificação Movie Geek : 83%
Imdb
Trailers
Rotten Tomatoes






1 comment:
Estes e daqueles filmes que fui toda contente ver ao cinema e sai da sala de cinema toda infeliz. E a pensar gastei 10 dollares para ver este filme??? E 4 dollares em Pipocas??!! Nao pode ser verdade!
Estava a espera de mais alguma coisa, o filme foi original mas a historia nao foi muito desenvolvida. Podia ter sido um optimo filme!
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